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Sombra do tempo

Fotograma do filme afire.png

Canto onde não há coisa construída. Resta apenas um lugar para o espaço, alheio a todas as horas corridas, que esquecidas se juntam em chumaços eternos, sem cor, sem nenhum centímetro, onde conotam um compartimento cujo vazio delimita o termômetro do efêmero — ser no plano do tempo. Numa ala sombria, passos entulhados ignoram o rápido ou o devagar, desprezíveis no infinito do chão. E mesmo sem fim, destinos calados compõem as chances que podem raiar: subterfúgios diante do grande não.