Atrás de mim

Eu queria poder deixá-lo de lado, como se fosse outra coisa — sem eu —, insensível, longe, impassível, neutra, mas não uma coisa da qual me desfaço. Na verdade, ninguém mais pode tê-lo, pois tê-lo é ser nele identificado. E se acaso decido liquidá-lo, extinguimo-nos juntos num só peso. Entretanto, ainda somos decompostos. O que a vista alcança não se conforma, tudo parece torto, quase solto. Talvez me bastasse vê-lo de costas, por inteiro. Seria como ver outro: uma imagem secreta que me adorna.
